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Envio para toda a Europa

Vlogging e criação

O som de uma filmagem: o que se ouve mesmo

5 min de leituraL'équipe Fox Rider
Técnico de som com auscultadores, debruçado sobre o seu gravador de campo, diante de uma cancela amarela à beira da floresta

O olho perdoa; o ouvido não. Uma imagem um pouco escura passa, um enquadramento um pouco largo passa, um plano trémulo ainda passa. Um som que sopra não passa: ao fim de vinte segundos fecha-se. É o desequilíbrio mais injusto do ofício, e é o que menos se prepara. Eis o que, num local vulgar, decide a qualidade de uma banda sonora antes mesmo de se ter ligado o que quer que seja.

Os três ruídos que deixamos de ouvir quando vivemos no local

  • A ventilação. Uma unidade de tratamento de ar, uma ventilação mecânica, um ar condicionado: um sopro contínuo e largo que o cérebro apaga em três minutos e que um microfone nunca apaga.
  • A rua. Já não se nota atrás de uma janela que se abre todos os dias, e no entanto ocupa a mesma banda de frequências que uma voz masculina.
  • O zumbido elétrico. Um frigorífico de cozinha, um bastidor de servidores atrás de uma divisória, um tubo fluorescente cansado. Grave, regular e muito difícil de retirar sem estragar a voz.

Duas unidades exteriores de ar condicionado ao pé de uma parede clara, entre arbustos

O teste demora trinta segundos e não precisa de material: entre na sala, cale-se e escute durante meio minuto. O que ouvir nesse momento, o microfone ouvi-lo-á dez vezes mais alto. Se não ouvir nada, quase sempre é porque não esperou o suficiente.

Daí uma regra simples: quem ocupa o local é o pior juiz do seu ruído, e o primeiro visitante que chega é o melhor. Se alguém já lhe disse que o seu escritório é barulhento, acredite nele mais do que nos seus próprios ouvidos. Não é questão de ouvido apurado, é habituação, e é total ao fim de dois dias.

Uma sala vazia ressoa

Mesa e bancos de madeira numa sala quase nua, chão de betão e grande vão envidraçado em luz rasante

É o paradoxo das filmagens imobiliárias e dos espaços novos: quanto mais bonita e limpa é a sala, pior soa. Um chão duro, paredes nuas, um grande vão envidraçado, e a voz ressalta três vezes antes de chegar ao microfone. A reverberação não se tira na montagem — pode atenuar-se, não desfazer-se. No local, quatro coisas reduzem-na mesmo: aproximar o microfone, falar virado para uma superfície mole em vez de uma parede, pousar casacos e sacos fora de campo dentro da sala, e fechar as portas das divisões vazias ao lado.

O microfone da câmara não é um microfone

Microfone de lapela preto com a sua espuma corta-vento e mola, pousado na borda de um portátil

Capta a sala, não a pessoa. A dois metros grava tanto espaço como voz, e nenhuma definição compensa a distância: é física, não técnica. Um microfone de lapela a vinte centímetros do queixo muda tudo, e é o único objeto que sozinho leva um vídeo de amador a correto. O mesmo raciocínio vale no exterior, onde o vento é o primeiro inimigo — o som de uma câmara de ação, microfone externo e vento detalha esse caso.

O ruídoRecupera-se?O que se faz no local
Ventilação contínuaEm parteDesliga-se durante a tomada e volta a ligar-se depois
Trânsito, ruaNãoMuda-se de sala, ou espera-se uma acalmia de trinta segundos
Reverberação da salaNãoAproxima-se o microfone e mobila-se fora de enquadramento
Pancada, porta, clique isoladoSimRepete-se a frase logo, não no fim
Vento no exteriorEm parteEspuma obrigatória, de costas para o vento, microfone sob a gola

Gravar o silêncio da sala

É o gesto mais rentável do dia, e dura trinta segundos. Antes de arrumar, pede-se silêncio total e grava-se a sala tal como é: a sua ventilação, o seu zumbido, a sua rua. Esse fundo, chamado ambiente, serve na montagem para colar duas frases gravadas com cinco minutos de intervalo sem que o ouvido oiça a costura. Sem ele, cada corte produz um pequeno buraco de silêncio artificial — e é esse buraco, mais do que o ruído, que faz soar amador um vídeo de resto limpo.

Auscultadores, ou nada

Microfone de estúdio de grande diafragma, azul-claro, montado na sua aranha sobre fundo azul-noite

Um belo microfone pousado numa mesa não garante nada: o que garante é ouvir enquanto se grava. Os auscultadores não são um acessório de conforto, são a única forma de descobrir no local, e não três dias depois, que uma pilha do microfone estava fraca, que um cabo fazia falso contacto ou que um frigorífico arrancou a meio da terceira frase. Numa filmagem, metade dos acidentes de som não são erros de regulação: são coisas que ninguém ouviu.

O que se decide antes, e só uma vez

A sala onde se põe alguém a falar escolhe-se antes do dia, não na hora de montar. O critério não é a beleza: é o silêncio, mais algo mole em algum lado. Uma sala de reuniões alcatifada ganha sempre a um átrio de mármore. Nos eventos, onde não se escolhe nada, o raciocínio inverte-se e o material assume: o microfone sem fios para os discursos e filmar um concerto ou um festival descrevem esse terreno, bem mais difícil.

Se já sabe que uma sala ressoa, que uma ventilação não se desliga ou que passa uma rua atrás da janela, diga-o: é isso que decide onde ficam os microfones e, portanto, a hora e o local da filmagem. Uma linha num pedido de prestação nas suas instalações vale mais do que uma descoberta no local, porque essa descoberta paga-se sempre em tomadas perdidas.

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